sábado, 30 de outubro de 2010

::: De que mundo você veio?


::: Não sei você, mas sempre que revejo pela televisão Roberto Baggio perder aquele pênalti contra a seleção brasileira na final da copa de 94, me pergunto o que teria se passando naquele momento na cabeça do italiano. Desespero, espanto, indignação?

É uma pergunta sem sentido talvez, afinal perder um campeonato que todos veneram de forma tão traumática é no mínimo desconfortável –

alguns diriam humilhante. Mas o ponto que chamo atenção é o da percepção. Enquanto de um lado a esquadra azzurra lamentava um título diante de milhões de espectadores, do outro a torcida canarinho festejava depois de 24 anos um título. O mundo girava num só sentido, mas a visão de quem presenciava aquela cena era muito particular. Para que houvesse contentamento, também deveria haver a derrota.

A contradição pode fazer diferentes ideais se fundirem numa só decisão. Diferentes interesses terminam e começam com ideais, diferenças e atitudes que só o livre arbítrio pode traçar. E que vença o melhor, ou o que for menos vulnerável. Que chegue na frente quem teve percepção para isso. É isso que todos pregam, é isso que todos seguem. Um mantra da sobrevivência na selva de pedra.

À medida que o tempo passa, nosso mundo particular também muda, gira conforme nossa mente, e pode até girar ao contrário. Lembre-se do primeiro dia de trabalho, em que tudo é diferente. Do último dia de escola, onde tudo continua igual. Cada vitória depende do valor que seu dono atribui. Ou deixa de atribuir.

Nessa questão tão complexa, há apenas uma unanimidade: que o tempo se vai, e que cada um tem um mundo que merece.

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